A pergunta mais profunda que qualquer um de nos pode fazer
é: Quem sou eu? O momento mais decisivo de minha vida foi quando eu me fiz
essa pergunta e sabia que a resposta tinha que ser: Eu sou judeu.
Eu
sou judeu não porque acredito que o Judaísmo seja a única resposta à todas as perguntas. Admiro outras tradições e suas contribuições para o mundo.
Também não
sou judeu pelo antissemitismo ou do antissionismo. O que acontece comigo não
define quem eu sou: o nosso povo é um povo de Fé, não de destino.
Também não é porque
eu acho que os judeus são melhores do que os outros, mais inteligentes,
criativos, generosos ou bem-sucedidos. Não são os judeus que são diferentes,
mas o Judaísmo. Não é tanto o que somos, mas o que nós somos convocados a ser.
Eu
sou judeu porque, sendo filho de meu povo, ouvi a convocação para adicionar meu
capitulo à sua historia inacabada. Eu sou um estágio na jornada, um elo de ligação
entre as gerações. Os sonhos e esperanças de meus antepassados vivem em mim, e
eu sou o guardião de sua confiança, agora e para o futuro.
Sou judeu porque
nossos antepassados foram os primeiros a ver que o mundo é impulsionado por um propósito
moral, que a realidade não é uma guerra incessante dos elementos, a ser
adorados como deuses, nem a historia é uma batalha em que o mais forte é o
correto e o poder deve ser apaziguado.
A tradição judaica moldou a civilização
moral do Ocidente, ensinando pela primeira vez que a vida humana é sagrada, que
o individuo nunca pode ser sacrificado pela massa e que ricos e pobres, grandes
ou pequenos, são todos iguais perante D-us.
Sou judeu porque sou um herdeiro
moral daqueles que ficaram ao pé do Monte Sinai e se comprometeram à viver por
essas verdades por todos os tempos. Eu sou o descendente de incontáveis
gerações de antepassados que, embora testados amargamente ao extremo,
permaneceram fieis à esse pacto quando poderiam facilmente ter desertado.
Eu sou
judeu por causa do Shabat, a maior instituição religiosa do mundo, um tempo que
não há manipulação da natureza ou de nossos companheiros seres humanos; um
tempo no qual nos reunimos em liberdade para criar, a cada semana, uma
antecipação da era Messiânica.
Eu sou judeu porque a nossa nação, embora tenha
sofrido a mais profunda pobreza em alguns momentos, nunca desistiu de seu compromisso
de ajudar os pobres, ou resgatar judeus de outras terras, ou lutar por justiça
para os oprimidos, e assim o fez sem autocongratulações, porque era uma mitzvá,
porque um judeu não poderia fazer menos.
Sou judeu porque aprecio a Torá
sabendo que D-us pode ser encontrado não apenas em forças naturais mas em
significados morais, nas palavras, textos, ensinamentos e mandamentos e porque
os judeus, embora lhes faltasse tudo o mais, nunca deixaram de valorizar a
educação como uma tarefa sagrada, dotando o individuo com dignidade e
profundidade.
Eu sou judeu por causa da fé apaixonada do nosso povo pela
liberdade sustentando que cada um de nós é um agente moral e que nisso reside a
nossa dignidade singular como seres humanos; e porque o judaísmo nunca deixou
seus ideais no nível das elevadas aspirações, mas em vez disso os traduziu em
ações que chamamos de mitzvot, e um caminho a que chamamos Halachá, e assim
trouxe o céu para terra.
Tenho orgulho simplesmente por ser um judeu. Tenho
orgulho de fazer parte de um povo que, embora traumatizado e com cicatrizes,
nunca perdeu seu humor ou sua fé, sua capacidade de rir dos problemas atuais e
ainda acreditar na redenção final, que viu a história humana como uma jornada e
nunca parou de viajar e pesquisar. Tenho orgulho de fazer parte de uma época em
que um povo, devastado pelo pior crime cometido contra um povo, respondeu
revivendo uma terra, recuperando sua soberania, resgatando judeus ameaçados em
todo o mundo, reconstruindo Jerusalém e provando ser tão corajoso na busca da
paz como na sua defesa em guerra.
Tenho orgulho por nossos ancestrais se
recusarem a ficarem satisfeitos com consolações prematuras e em resposta à
pergunta: “O Messias chegou?”, sempre responderam: “Ainda não”.
Tenho orgulho
de pertencer ao povo de Israel, cujo nome significa “aquele que luta com D-us e
com o homem e prevalece”. Porque, embora nós tenhamos amado a humanidade, nunca
deixamos de lutar com ela, desafiando os ídolos de todas as épocas. E embora
tenhamos amado a D-us com um amor eterno, nunca deixamos de lutar com Ele, nem
Ele conosco.
Admiro outras civilizações e tradições e acredito que cada um trouxe
algo especial para o mundo, mas Aval Zê
Shelanu (isto é nosso). Este é o meu povo, minha herança, minha fé. Em
nossa singularidade reside a nossa universalidade. Para sermos o que somente
nós somos, damos à humanidade o que somente nós podemos dar. Essa, então, é a
nossa história, nosso presente para a próxima geração. Eu recebi de meus pais e
eles dos deles, através de grandes extensões de espaço e tempo. Não há nada
parecido com isso. Isso mudou e ainda desafia a imaginação moral da humanidade.
Eu quero dizer para os judeus de todo o mundo: Tome o judaísmo, estime-o, aprenda
a compreendê-lo e amá-lo. Leve-o e ele o levará. E que você possa, por sua vez,
passá-lo para as gerações futuras. Porque você é membro de um povo eterno, uma
letra no seu rolo sagrado. Deixe sua eternidade viver em você.