Por que eu sou judeu (Rabbi Jonathan Sacks)

A pergunta mais profunda que qualquer um de nos pode fazer é: Quem sou eu? O momento mais decisivo de minha vida foi quando eu me fiz essa pergunta e sabia que a resposta tinha que ser: Eu sou judeu. 

Eu sou judeu não porque acredito que o Judaísmo seja a única resposta à todas as perguntas. Admiro outras tradições e suas contribuições para o mundo. 

Também não sou judeu pelo antissemitismo ou do antissionismo. O que acontece comigo não define quem eu sou: o nosso povo é um povo de Fé, não de destino. 

Também não é porque eu acho que os judeus são melhores do que os outros, mais inteligentes, criativos, generosos ou bem-sucedidos. Não são os judeus que são diferentes, mas o Judaísmo. Não é tanto o que somos, mas o que nós somos convocados a ser. 

Eu sou judeu porque, sendo filho de meu povo, ouvi a convocação para adicionar meu capitulo à sua historia inacabada. Eu sou um estágio na jornada, um elo de ligação entre as gerações. Os sonhos e esperanças de meus antepassados vivem em mim, e eu sou o guardião de sua confiança, agora e para o futuro. 

Sou judeu porque nossos antepassados foram os primeiros a ver que o mundo é impulsionado por um propósito moral, que a realidade não é uma guerra incessante dos elementos, a ser adorados como deuses, nem a historia é uma batalha em que o mais forte é o correto e o poder deve ser apaziguado. 

A tradição judaica moldou a civilização moral do Ocidente, ensinando pela primeira vez que a vida humana é sagrada, que o individuo nunca pode ser sacrificado pela massa e que ricos e pobres, grandes ou pequenos, são todos iguais perante D-us. 

Sou judeu porque sou um herdeiro moral daqueles que ficaram ao pé do Monte Sinai e se comprometeram à viver por essas verdades por todos os tempos. Eu sou o descendente de incontáveis gerações de antepassados que, embora testados amargamente ao extremo, permaneceram fieis à esse pacto quando poderiam facilmente ter desertado. 

Eu sou judeu por causa do Shabat, a maior instituição religiosa do mundo, um tempo que não há manipulação da natureza ou de nossos companheiros seres humanos; um tempo no qual nos reunimos em liberdade para criar, a cada semana, uma antecipação da era Messiânica. 

Eu sou judeu porque a nossa nação, embora tenha sofrido a mais profunda pobreza em alguns momentos, nunca desistiu de seu compromisso de ajudar os pobres, ou resgatar judeus de outras terras, ou lutar por justiça para os oprimidos, e assim o fez sem autocongratulações, porque era uma mitzvá, porque um judeu não poderia fazer menos. 

Sou judeu porque aprecio a Torá sabendo que D-us pode ser encontrado não apenas em forças naturais mas em significados morais, nas palavras, textos, ensinamentos e mandamentos e porque os judeus, embora lhes faltasse tudo o mais, nunca deixaram de valorizar a educação como uma tarefa sagrada, dotando o individuo com dignidade e profundidade. 

Eu sou judeu por causa da fé apaixonada do nosso povo pela liberdade sustentando que cada um de nós é um agente moral e que nisso reside a nossa dignidade singular como seres humanos; e porque o judaísmo nunca deixou seus ideais no nível das elevadas aspirações, mas em vez disso os traduziu em ações que chamamos de mitzvot, e um caminho a que chamamos Halachá, e assim trouxe o céu para terra. 

Tenho orgulho simplesmente por ser um judeu. Tenho orgulho de fazer parte de um povo que, embora traumatizado e com cicatrizes, nunca perdeu seu humor ou sua fé, sua capacidade de rir dos problemas atuais e ainda acreditar na redenção final, que viu a história humana como uma jornada e nunca parou de viajar e pesquisar. Tenho orgulho de fazer parte de uma época em que um povo, devastado pelo pior crime cometido contra um povo, respondeu revivendo uma terra, recuperando sua soberania, resgatando judeus ameaçados em todo o mundo, reconstruindo Jerusalém e provando ser tão corajoso na busca da paz como na sua defesa em guerra. 

Tenho orgulho por nossos ancestrais se recusarem a ficarem satisfeitos com consolações prematuras e em resposta à pergunta: “O Messias chegou?”, sempre responderam: “Ainda não”. 

Tenho orgulho de pertencer ao povo de Israel, cujo nome significa “aquele que luta com D-us e com o homem e prevalece”. Porque, embora nós tenhamos amado a humanidade, nunca deixamos de lutar com ela, desafiando os ídolos de todas as épocas. E embora tenhamos amado a D-us com um amor eterno, nunca deixamos de lutar com Ele, nem Ele conosco. 

Admiro outras civilizações e tradições e acredito que cada um trouxe algo especial para o mundo, mas Aval Zê Shelanu (isto é nosso). Este é o meu povo, minha herança, minha fé. Em nossa singularidade reside a nossa universalidade. Para sermos o que somente nós somos, damos à humanidade o que somente nós podemos dar. Essa, então, é a nossa história, nosso presente para a próxima geração. Eu recebi de meus pais e eles dos deles, através de grandes extensões de espaço e tempo. Não há nada parecido com isso. Isso mudou e ainda desafia a imaginação moral da humanidade. 

Eu quero dizer para os judeus de todo o mundo: Tome o judaísmo, estime-o, aprenda a compreendê-lo e amá-lo. Leve-o e ele o levará. E que você possa, por sua vez, passá-lo para as gerações futuras. Porque você é membro de um povo eterno, uma letra no seu rolo sagrado. Deixe sua eternidade viver em você.


Amoz Oz

Nascido em Jerusalem em 04/05/1939, Amos Klausner é considerado um dos maiores intelectuais da atualidade e o escritor mais influente de seu pais com mais 500 artigos publicados além de 30 obras traduzidas em mais de 30 idiomas, inclusive (e recentemente) o árabe.
Os seus pais fugiram em 1917 de Odessa (Ucrânia) para Vilna (Lituânia) e daí para Israel em 1933. Com 15 anos fugiu de casa e entrou para o Kibbutz Hulda onde tomou então o seu nome atual. Durante o seu estudo de Literatura e Filosofia na Universidade de Jerusalem, publicou seus primeiros contos curtos. 
Oz participou da Guerra dos Seis Dias e da Guerra de Iom Kipur e fundou nos anos 1970, juntamente com outros, o movimento pacifista israelita Shalom Achshav (Paz Agora).
Membro da Academia de Letras Hebraicas desde 1991, dentre os prêmios que ganhou, destacam-se:
  • Premio de Frankfurt pela Paz (1992)
  • Premio Israel de Literatura (1992)
  • Premio Femina em França (1998)
  • Indicado para o Premio Nobel de Literatura (2002)
  • Premio Internacional Catalunya (2004), junto com o pacifista palestino Sari Nusseibeh
  • Premio de Literatura do jornal alemão Die Welt
  • Prêmio Goethe (2005)
  • Premio Principe de Asturias (2007)
Abaixo, segue uma entrevista dele de 4 blocos para o Programa Roda Viva:











A criação do Estado de Israel

Após a 1ª Guerra Mundial, o Imperio Otomano foi dissolvido após 623 anos de existência. A Liga das Nações (a ONU daqueles tempos) adotou o Sistema de Mandatos com o objetivo formal de administrar a região até que eles pudessem ser capazes de serem independentes.

O preâmbulo desse mandato declarou: "Considerando que as principais potências Aliadas também concordaram que o Mandatário deve ser responsável por colocar em prática a declaração feita originalmente (...) em favor do estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu, sendo claramente entendido que nada deve ser feito que possa prejudicar os direitos civis e religiosos das atuais comunidades não-judaicas na Palestina, ou os direitos e status político gozados pelos judeus em qualquer outro país."
Em 1947, A ONU, a pedido da Inglaterra, criou um comitê para elaborar um plano de partição da área do Mandato Britânico da Palestina. O plano consistia na partição da território em três:
  1. Um Estado Judeu com 53% do território destinados aos 700 mil judeus existentes na época;
  2. Um Estado Árabe com 47% do território destinados aos 5 milhões de árabes existentes na época;
  3. As area de Jerusalem e Belém sob controle internacional.
Ainda em 1947, na sessão da ONU presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, quando 56 dos 57 países membros se encontravam representados (apenas a Tailândia esteve ausente), 33 deles votaram favor do Plano, 13 votaram contra e 10 se abstiveram.

A partição foi aceita pelos líderes sionistas mas foi rejeitado pelos líderes dos países da Liga Árabe (Egito, Síria, Líbano e Jordânia) que não reconheceram o novo Estado.

Em 14/05/1948, poucas horas antes de se esgotar o Mandato Britânico sobre a Palestina e já em meio a uma Guerra Civil entre árabes e judeus, foi declarada a Independência do Estado de Israel.



Veja a íntegra do discurso da Declaração de Independência por Davi Ben-Gurion:


Os Estados árabes reagiram imediatamente e atavaram Israel no dia seguinte. Começava assim a primeira guerra árabe-israelense que teve amistício somente em 1949.

Desde então, Israel travou uma série de Guerras com os Estados árabes vizinhos e, como consequência, Israel atualmente controla territórios além daqueles delineados no amisticio. Algumas das fronteiras internacionais do país continuam em disputa, mas Israel assinou tratados de paz com o Egito e com a Jordânia e apesar de esforços para resolver o conflito com os palestinos, até agora só se encontrou sucesso limitado.

História de Baal Shem Tov por Moré Ventura

Rabi Israel ben Eliezer ou Baal Shem Tov, nasceu em 1698 em uma pequena vila rural Polonesa. Foi um conhecido rabino e tido como fundador do movimento Chassidico. A ele creditam-se vários milagres nos quais operava usando a fé e a alegria de viver.